Em novembro do nosso segundo ano na propriedade, plantámos 50 árvores de fruto em sete dias. Eis o que aprendemos.
## Porquê Novembro
As árvores de raiz nua são arrancadas nos viveiros durante o período de dormência — geralmente entre outubro e fevereiro — e plantadas antes de a seiva subir na primavera. No Norte de Portugal, novembro é quase o momento ideal. O solo ainda é trabalhável (não a betão de agosto, nem a lama encharcada de janeiro). As chuvas de inverno estão a começar, o que significa plantar em solo húmido, não contra a seca. As árvores têm quatro a cinco meses de condições frias e chuvosas para estabelecerem o sistema radicular antes de a época de crescimento lhes exigir alguma coisa.
Árvores em contentor podem ser plantadas durante todo o ano, mas árvores de raiz nua plantadas em novembro neste clima estabelecem-se de forma mais rápida e fiável do que árvores em contentor plantadas na primavera. O sistema radicular de uma árvore de raiz nua não foi constrangido por um vaso; com uma boa preparação do solo e bom contacto com a terra, tende a enraizar de forma mais agressiva do que uma árvore em contentor plantada em condições mais quentes.
Há ainda um argumento prático: as árvores de raiz nua custam entre 40 a 60% menos do que o equivalente em contentor. Em 50 árvores, a diferença é significativa.
## O Que Plantámos
Escolhemos variedades especificamente selecionadas para a altitude (estamos a 450 m) e para os solos de textura franco-limosa, ligeiramente ácidos, típicos do Minho septentrional. A lista:
- **Marmelo** (*Cydonia oblonga*) — 8 árvores, a variedade portuguesa 'Lusitânica', produtiva e boa para marmelada - **Macieira** (*Malus domestica*) — 10 árvores, entre 'Fuji' (para consumo fresco) e 'Maçã Bravo de Esmolfe', uma variedade nativa do norte de Portugal com excelente sabor e boa adaptação local - **Pereira** (*Pyrus communis*) — 6 árvores, 'Rocha' (a variedade comercial mais cultivada em Portugal) e 'Williams', para janelas de colheita diferentes - **Nespereira-do-norte** (*Mespilus germanica*) — 4 árvores, um fruto pouco valorizado nos pomares modernos, mas consistentemente produtivo em altitude e praticamente sem necessidade de manutenção após estabelecimento - **Figueira** (*Ficus carica*) — 6 árvores, 'Lampa Preta' e 'Pingo de Mel', ambas bem enraizadas na cultura do Norte - **Caquizeiro** (*Diospyros kaki*) — 6 árvores, 'Rojo Brillante', escolhido pelo fruto não-adstringente e pela tolerância aos invernos húmidos do Norte - **Amoreira** (*Morus nigra*) — 4 árvores, plantadas no perímetro do pomar sobretudo pelo valor para a fauna, além da produção de fruto - **Castanheiro** (*Castanea sativa*) — 6 árvores, seleção local, em parte para fruto, mas principalmente pela função de madeira e dossel a longo prazo
## Preparação das Covas
Este passo importa mais do que quase tudo o resto no estabelecimento de um pomar. O nosso solo tem boa estrutura nos primeiros 30 cm, mas compacta muito abaixo disso. Para cada árvore, abrimos uma cova de 70 cm de largura e 60 cm de profundidade.
O passo crítico: descompactámos o subsolo no fundo da cova com uma barra de arrombamento. O subsolo compactado cria uma barreira de drenagem; as raízes atingem a camada dura e param. Uma intervenção de dez segundos com uma barra de 20 kg elimina um problema que mata árvores no segundo ou terceiro ano — não no primeiro.
Cada cova recebeu: - Uma camada de 2 cm de biochar na base (adquirido a um produtor local — produzimos o nosso, mas ainda não tínhamos stock suficiente) - 10 litros de estrume de bovino compostado misturado na terra de enchimento - A terra original devolvida em redor das raízes, compactada à mão, sem pisar
Não adicionámos fertilizante comercial. As árvores jovens não precisam nem beneficiam de azoto elevado no momento da plantação — estimula o crescimento aéreo antes de o sistema radicular o conseguir suportar.
## Tutoragem e Proteção Contra Coelhos
Cada árvore foi tutoreada com uma estaca de castanho de 1,8 m enterrada a 50 cm, posicionada do lado do vento dominante. Usámos atilho em borracha em forma de oito, em vez de plástico. O objetivo da estaca é ancorar as raízes, não suportar o tronco — o tronco deve poder mover-se ao vento; é esse movimento que desenvolve a sua resistência e conicidade.
Os coelhos são um problema sério a esta altitude. Cada árvore foi protegida com um protetor espiral de 60 cm de diâmetro. Perdemos duas árvores numa plantação anterior, sem proteção, por descasque — um confirmado de coelho, outro suspeito de lebre.
## Resultados da Primeira Primavera: Relato Honesto
Das 50 árvores plantadas, 44 mostraram rebentação saudável e folhearam normalmente até abril. 3 foram lentas mas acabaram por recuperar. 3 morreram.
As perdas: 2 caquizeiros (suspeitamos que o material era fraco do viveiro — chegaram com raízes visivelmente ressequidas apesar de terem sido encomendadas com antecedência) e 1 pereira (posição mal escolhida, em retrospetiva — demasiado húmida no inverno, numa depressão natural que não identificámos como problema de drenagem no novembro seco em que plantámos).
Isto representa uma taxa de estabelecimento de 88% no primeiro ano. Os pomares comerciais têm como alvo 85 a 90%, portanto estamos dentro dos valores normais. Os dois caquizeiros foram substituídos em janeiro, de um viveiro diferente; ambos estão agora a estabelecer-se bem.
## Custo Total
50 árvores de raiz nua: 410 € (média de 8,20 € por árvore) Biochar: 45 € Composto: grátis (nosso próprio) Estacas (50): 85 € Protetores anti-coelho (50): 60 € Mão de obra: nossa, aproximadamente 70 horas-pessoa em 7 dias
**Total: aproximadamente 600 €, excluindo mão de obra própria.**
O equivalente em contentor de um centro de jardinagem teria custado entre 1.400 e 1.800 €, pelo mesmo número de árvores, mais os mesmos custos de preparação.
---
*Documentamos todo o desenvolvimento da terra no Lusitano Retreat — pomar, floresta alimentar, lago biológico, e tudo o que não correu bem — neste blogue.*